A crise na saúde pública de Santa Bárbara d’Oeste pode se tornar alvo de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). O vereador Carlos Fontes (União Brasil) protocolou nesta terça-feira (21) o Requerimento nº 616/2025, solicitando a abertura de uma investigação legislativa para apurar atrasos no pagamento dos médicos, falta de insumos e possíveis falhas administrativas e contratuais envolvendo a gestão municipal e a empresa terceirizada Alive Saúde Serviços Médicos Ltda.
O pedido cita uma série de denúncias veiculadas pela imprensa local, que apontam superlotação, redução de profissionais em plantões e atrasos salariais superiores a 100 dias, especialmente nos prontos-socorros “Dr. Edson Mano” e “Dr. Afonso Ramos”. Segundo Fontes, o cenário descrito “evidencia um colapso no atendimento à população e uma grave omissão do Poder Executivo”.
Entre os episódios relatados está o caso de um médico que, durante plantão, teria entrado em crise emocional e chorado diante do atraso de pagamentos, sendo amparado por colegas. O vereador menciona também a ausência de insumos básicos, como gaze, medicamentos, copos descartáveis e até papel higiênico, o que, segundo ele, compromete o atendimento emergencial.
Fontes cita ainda que a empresa contratada pela Prefeitura, a Alive Saúde, não tem dialogado com os profissionais e apaga mensagens de reclamações enviadas pelos médicos, enquanto o Executivo permanece em silêncio público diante da situação.
“Há indícios sérios de irregularidades administrativas e financeiras. A Câmara tem o dever constitucional de fiscalizar e buscar transparência, sobretudo quando a população é a mais afetada”, afirmou o vereador.
Caso seja aprovada em plenário, a CEI será composta por três vereadores, presidente, relator e membro, e terá prazo inicial de 90 dias para investigar o caso, prorrogável conforme o Regimento Interno da Casa.
A comissão deverá apurar, entre outros pontos:
- O motivo dos atrasos salariais dos médicos;
- A falta de insumos e equipamentos essenciais nas unidades;
- A execução dos contratos com a empresa terceirizada;
- A eventual omissão da Prefeitura quanto à fiscalização e aos repasses;
- E os impactos diretos à população barbarense.
A proposta será analisada nas próximas sessões da Câmara Municipal.








