A Usina Furlan, que possui unidades em Santa Bárbara d’Oeste e Avaré, entrou no radar do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suspeita de ter recebido R$ 8,5 milhões de um grupo apontado como ligado à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). A informação consta em ação que tramita na 2ª Vara Criminal de Catanduva, sob investigação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
De acordo com os autos, o repasse teria sido feito em circunstâncias que indicam lavagem de dinheiro. O MP também apura indícios de fraude fiscal envolvendo a usina, com possível sobrepreço na compra de cana-de-açúcar a partir de 2022.
No último dia 28, a Furlan foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal, dentro da operação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada contra o crime organizado no Brasil, com ações simultâneas em 54 municípios e mais de 300 pessoas físicas e jurídicas investigadas.
Transferências suspeitas
Um relatório da Receita Federal revelou que a distribuidora de combustíveis Duvale, integrante do grupo do empresário Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, transferiu dois valores à usina: R$ 3,6 milhões e R$ 4,9 milhões. As operações, intermediadas pela fintech BK Instituição de Pagamento, não tinham beneficiários identificados e foram realizadas por meio de “contas-bolsões”, mecanismo que concentra depósitos de vários clientes em uma única conta, dificultando o rastreamento.
Segundo o Gaeco, essa prática reforça a hipótese de lavagem de capitais. Ainda conforme o órgão, a Furlan mantém relações comerciais relevantes com distribuidoras ligadas a Mourad, como a Everest e a Comanche.
Grupo investigado
As investigações apontam que Mourad, ao lado de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, lideraria uma rede empresarial usada pelo PCC para movimentar recursos ilícitos, especialmente no setor de combustíveis. Embora não haja comprovação formal da compra da Usina Furlan por esse grupo, o MP afirma ter encontrado “diversos elementos conectivos” que sugerem possível gestão ou tentativa de aquisição da companhia.
Suspeita de fraude fiscal
Além da questão financeira, relatórios da Secretaria da Fazenda paulista identificaram aumento expressivo no preço médio pago pela Furlan pela cana-de-açúcar a partir de 2022. O Gaeco avalia que a prática pode caracterizar fraude fiscal, com sobrepreço artificial para reduzir impostos e gerar créditos indevidos.








